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Posts sobre: Contos

Sempre achei que nada atrapalharia os romances perfeitos, aqueles que a gente vê nos filmes e chora junto aos protagonistas. Eu vi tudo isso na minha infância e não imaginava que o verbo crescer traria consigo tantas responsabilidades, lutas e barras pesadas que necessitariam de toda minha força para segurá-las. Eu não imaginava que assim como as mocinhas dos filmes, eu teria meu coração roubado por alguém e que ele palpitaria tão forte em sua presença. Que minha vez de conhecer o amor chegaria. E eu nem o vi bater à porta e ele entrou. E aí me dei conta do quão forte eu deveria ser, porque o amor muitas vezes pode ser amigo da distância, a distância física, aquela que separa nossos corpos. Mas todas as noites em que olho para o céu estrelado, lembro-me que aquele céu que me envolve é o mesmo que cai sobre ele. Que contamos as mesmas estrelas. E quando finalmente podemos nos abraçar em meus sonhos, posso sentir seu cheiro inebriante. Talvez um dia a distância resolva nos deixar e esses quilômetros que nos rodeiam passem a não mais existir. Mas até lá, continuarei tendo a certeza de que nem os rios, mares ou qualquer outra coisa, é capaz de conter nosso amor. E que ele vai continuar sendo o acaso mais incrível da minha vida...

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Eu estava ali parada no tempo, sentada na escadaria do castelo, recordando-me dos acontecimentos que me levaram aquele lugar.

Yan andava depressa, quase correndo atrás de uma garota que o puxava pela mão, e eu procurava observar tudo que estava a minha volta, talvez na tentativa de assemelhar algo. As paredes brancas com detalhes dourados que lembravam o mais puro ouro, os lustres gigantescos de cristais davam um charme a mais aquele ambiente. E quando finalmente meus olhos voltaram-se para eles, flagro um beijo que a garota misteriosa deu-lhe, meus pés tocaram o chão bruscamente, a sensação de que eu estava flutuando havia desaparecido subitamente e eu só conseguia me questionar se ele havia ou não gostado daquele beijo.

Eu sabia que não tínhamos mais nada, que havíamos nos afastado durante muito tempo. Mas logo agora que estávamos tão perto aquela garota resolveu aparecer, eu sentia que ela era como um fantasma do passado, alguém que sabia exatamente o que fazer para cobrir meus pensamentos com aquela nevoa escura que estava ao seu redor. Até que tenho a impressão de vê-la sorrir para mim, mas não de um jeito meigo, mas como se quisesse me dizer para não desafia-la novamente. E como se em um momento eu não a conhecesse, agora eu sabia exatamente de quem se tratava.

Sofia tinha realmente a sabedoria a qual seu nome fazia menção, mas era algo que ela usava para ferir as pessoas, junto com seu rosto bonito que escondia sua personalidade com tendências para o mau. Ela era o cinismo em pessoa, sua gargalhada debochada e jeito cético faziam dela uma garota problemática, mas que a maioria dos caras faziam questão de ter por perto só pela beleza, ela não tinha feições de um anjo, pelo contrário, sua sensualidade exalava a cada passo.

E quando abro os olhos, finalmente me dou conta de que estou em meu quarto, agora não mais escuro, os primeiros raios de sol entravam pela janela aberta, alguém havia entrado aqui enquanto eu dormia, talvez minha mãe, como sempre fazia ao acordar. Então tudo aquilo havia sido um sonho ruim. Yan não estava aqui, mas Sofia também não e sou inundada por uma dose de alivio.

Continua...

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02
jul
2016

Eu rolava de um lado para outro da cama, a noite não estava quente, tampouco fria, não era a temperatura que me incomodava dessa vez, nem a maciez do meu cobertor favorito era capaz de me ninar, a escuridão do meu quarto me causava pequenos arrepios por todo o corpo. E eu sabia que a lembrança dele estava cada vez mais viva em minha mente.

Por mais que eu quisesse esquecer aqueles olhos castanhos ou aquele sorriso com covinhas, meu cérebro fazia questão de lembrar cada detalhe e aquela vozinha chata que antes estava adormecida voltava a gritar suplicando um único beijo dele, eu queria sufocar aquilo tudo antes que aquilo me sufocasse.

Já passavam de 1:30 h da manhã e tudo que eu queria era correr para os braços dele, mas ao invés de dar asas a esses sentimentos, eu fiz uma escolha, talvez a escolha mais difícil em meses, resolvi deixa-lo ir porque eu realmente não tinha chances de tentar mudar nada. Mesmo que eu pensasse em fraquejar, eu jamais poderia. No final eu sabia onde isso iria acabar, meu orgulho sempre fora bem maior que qualquer sentimento, mas agora era diferente, eu seguia o passos que ele havia me mandado trilhar.

E ao chegar a essas conclusões, virei-me para o outro lado da cama e cai em sono profundo, eu poderia sentir aquilo outras mil vezes, mas estava decidida a superar e seguir em frente.

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21
jun
2016

Em meio a muitas noites de insônia eu me perguntava se você ia voltar, fazia preces silenciosas a Deus e as forças do universo para que chegasse esse dia, digitava inúmeras mensagens e sempre apagava no final ou as guardava só para mim, na época eu jurava que era por orgulho e mesmo que uma vozinha na minha cabeça ecoasse dizendo para correr atrás de ti, eu escolhi ficar ali parada, remoendo aqueles momentos que vivemos juntos.

Cansei de te ver online naquelas horas que costumava dormir quando namorávamos, cansei de ver sua troca de status que mudavam sempre que achava uma nova garota para se satisfazer, para enaltecer o teu ego. Cansei de ser a ex amiguinha que ouvia suas histórias com as outras ficantes ou que falava com aquela garota que ficou entre nós quando namorávamos.

Eu não sabia que ia voltar a me procurar, mas tinha certeza que jamais seria a primeira a procurá-lo. Orgulho? Não, isso nunca foi uma característica minha, é só que não valia a pena mesmo. Não valia mais a pena guardar os restos daquele buquê que me deu em nosso primeiro dia dos namorados e que depois de um ano tomei coragem de jogar fora e junto com ele joguei aquela garota boba que conheceu, que iludiu e virei uma mulher que acredite, meu bem, vale muito essa vale a pena.

E hoje eu agradeço verdadeiramente àquelas mensagens não respondidas, ligações não atendidas e o dia que esqueceu meu aniversário, porque depois de muito tempo eu entendi que você pode realmente me amar daqui para frente, mas não me terá de volta. Seja feliz, assim como estou sendo tá?

Adeus

 

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18
jun
2016

A noite estava fria, mas não era extremamente fria, parecia que tudo conspirava para que estivéssemos ali deitados e abraçados sob a grama verde e acima de nós, o céu mais estrelado que eu já havia visto na vida, aquele momento era perfeito e suficiente. Eu sabia que eram nossos últimos momentos juntos, que ao amanhecer, aqueles braços firmes não estariam mais em volta de mim, não poderia sentir mais aqueles lábios macios e quentes que me traziam paz. Mas ainda estávamos ali, tomados pela dor da perda que se seguiria. E sentindo aquela necessidade urgente de nos agarramos até o último fio do que tínhamos um do outro, ele me tomou em um beijo cálido e necessário, como se pudéssemos nos tornar um só por alguns minutos.

E naquele momento não havia mais nada entre nós, nada que fosse capaz de nos separar, não que tivesse esquecido que ele partiria, eu lembrava, não havia como me desfazer daquele pensamento, mas naqueles minutos que se sucederam éramos um só, e nada no universo poderia me tirar àquela sensação de paz. Eu não poderia permitir que aquela dor profunda tomasse conta do meu coração e não permiti, não naquele momento.

O sol forte raiava através da minha janela e uma pequena fresta iluminava meu quarto, me fazendo acordar, dando-me conta do que realmente havia acontecido na noite anterior e que ele não estaria mais junto a mim, e algo dentro de mim afirmava aquela verdade dolorosa com toda certeza que poderia existir no universo. E o que poderia fazer? Nada além de fechar os olhos e deixar que as lembranças daqueles momentos mágicos que vivemos me inundassem por completo.

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Hoje eu passei por aquele lugar onde nos vimos pela primeira vez e eu queria poder dizer que estava tão quente quanto naquela tarde, mas não, não estava. Era uma manhã fria e o único conforto que eu tinha ali era o vento que acariciava meu rosto, porque você não estava lá e eu sabia que nunca mais estaria. Aquelas lembranças ficaram marcadas em mim, se agregaram as minhas dores como se tivessem tatuadas em meu peito e dói, mas mesmo que essa dor me dilacere por dentro, eu sei que ela vai cessar, cicatrizará e se tornará ensinamento, como muitas coisas que passei na vida. Não vou mais te arrancar sorrisos bobos ou ter esses olhos castanhos focados em mim e acredite, eu sei disso. Mas quando chegar a hora de você olhar pra trás e perceber que me deixou escapar, por favor, não me procure mais, porque mesmo que me coração diga que te quer verdadeiramente, eu vou seguir em frente e você ficou para trás, eu vou seguir, sem olhar nem ao menos por cima do ombro, não quero correr o risco de correr mais uma vez para os seus braços, porque eu mereço mais, não quero migalhas de um amor fracassado, e se é isso que pode me oferecer, não se dê ao trabalho, talvez necessite dele para enaltecer o seu ego, boa sorte nessa trajetória e você tinha razão querido, você é muito pouco para ser um príncipe e eu vou superar, porque os dados desse jogo estão rolando e eu não tenho medo de pagar para ver. Então se viver intensamente para você é um desafio. Sinta-se desafiado, meu bem.

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10
jun
2016

Como será acordar amanhã e não ler a sua mensagem de bom dia? Como será dormir sem aquele “bons sonhos, baixinha”?  Eu não sei, eu gostaria de dizer que tudo vai voltar a ser como era antes, que tudo vai ser mil vezes melhor que antes, mas não vai, nós dois sabemos que não é mais possível e admitir isso é doloroso demais para aguentar sozinha, eu nunca soube que estava tão perdida até encontrar você.

Não verei mais esses olhos castanhos voltados em mim ou esse sorriso leve que dá quando falo alguma bobagem e te ver questionar: “Porque três pessoas?”, essa era nossa piada interna, lembra? Talvez você esqueça tudo isso, talvez o pânico que esteja te dominando agora suma, e ele vai sumir e todos aqueles planos que tinha para daqui a dez anos, estão acontecendo agora, em um ritmo que eu sei que você realmente não esperava. Mas mantenha a calma, querido. Siga em frente, sei que é bom nisso.

Acho que o destino já sabia a peça que ia pregar na gente, não é mesmo? Porque aquele beijo nunca aconteceu, e eu poderia dizer que foi melhor assim, mas não foi e nunca será, e eu não posso interferir na sua vida, não posso estar presente nesse momento e eu te peço perdão por isso, é que eu não consigo ser forte agora, mas prometo a mim mesma que vou levantar, com certeza bem mais forte, pois sou expert nisso. Em minhas preces silenciosas peço a Deus que faça o melhor por nós e principalmente por ti, que em tão pouco tempo mexeu verdadeiramente comigo.

O destino deve estar rindo de nós agora, se deleitando com esse pequeno sofrimento, mas afinal que é ele? Um idiota sem nenhum senso de humor. Torço para que fique bem, Plebeu.

Adeus

 

 

*Bem meus pupilos, esse conto é baseado no relato de uma fã que gostaria de compartilhar sua história conosco, ela preferiu ficar em anonimato.

Se vocês tem alguma história de amor ou sofrimento amoroso que gostaria de dividir conosco, escreva-nos.

Beijocas da Lady  <3

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08
jun
2016

O sol forte do meio dia parecia tocar levemente a água do rio, em uma tarde quente de junho, enquanto caminhava pela orla com ele ao telefone, fui dominada por um misto de nervosismo e ansiedade, eu estava ali, a poucos segundos de encontrar aquele homem que conversara comigo inúmeras madrugadas e que me deixava bastante mexida, eu tinha certeza de que depois daquele momento muitas coisas iam mudar entre nós, só não tinha a mínima noção de como seria.

Ao vê-lo sentado em um banco de frente para os barcos meu coração acelerou imediatamente, parte de mim queria desesperadamente encurtar aquela distância e a outra parte queria correr na direção contrária devido ao pequeno ataque de pânico que aquele momento me causava, mas eu tinha quase que como uma certeza, de que eu não me arrependeria daquilo. Sentei-me ao seu lado e ao ver aqueles olhos castanhos focados em mim, senti que todas aquelas sensações de pavor desnecessário estavam passando e davam lugar a uma sensação de paz e euforia inexplicáveis.

Seus toques em mim eram mínimos, mas me faziam ansiar sempre por mais e mais, em meio a nossa conversa acabei descobrindo que ele não era nada do que eu esperava, mesmo quando me irritava falando bobagens ou repetindo algo que eu havia dito há algum tempo, ele era bem melhor. Me fazia sorrir de toda aquela situação que até algum tempo atrás era imensamente constrangedora e acabara se tornando tão natural daquele momento em diante. Eu gostaria de dizer que nos beijamos e que aquele momento foi realmente mágico, e que eu realmente desejava isso, mas não aconteceu, não naquela tarde e não naquele momento.

Talvez isso seja só o começo de alguma história que escrevamos juntos, sinto que isso ainda não morreu aqui, porque todos aqueles sentimentos confusos ainda estão bem aqui, dentro de mim, esperando apenas nosso próximo encontro e o tão esperado beijo que me faça flutuar.

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Estava tudo escuro a minha volta e eu não consegui enxergar nada, exceto o nevoeiro que emoldurava aquela noite fria de Setembro. Eu estava parada no jardim de casa, podia sentir a grama macia sob os meus pés, a medida que o vento acariciava meu rosto. E então eu o vejo surgir de trás de uma árvore, aqueles olhos castanhos me fitavam, fazendo me aquecer por dentro. Sua boca esboçava aquele sorriso lindo do qual eu sempre me recordara. Ele vestia preto, que contrastava com sua pele branca e o deixava incrivelmente bonito.

A cada passo sentia-o cada vez mais perto de mim, até que sua mão tocou meu rosto, um toque leve e delicado, mas que me dava pequenos choques por dentro, eu conseguia sentir cada terminação nervosa do meu corpo. E nossos lábios se tocaram em um beijo suave e terno, com o que pareceu durar uma pequena eternidade e quando meus olhos finalmente se abriram, ele havia sumido. Então me dei conta de que aquele momento não passará de um sonho, aquele homem vivia apenas em meus sonhos de garota.

Virei-me para o outro lado da cama, encarei o relógio ao lado da cabeceira e já passavam das 3 da manhã, eu realmente queria fechar os olhos, voltar a dormir e lembrar do homem de terno preto e do beijo. Aquela sensação havia sido minha companheira em inúmeras madrugadas de insônia, onde eu precisava controlar meu coração acelerado. Minha cabeça vagava imersa em pensamentos ligados aquele sonho que se repetira tantas vezes.

Recordava-me das palavras de minha mãe sobre amores de outras vidas, que aquela conexão espiritual entre os amantes transcendiam a matéria física e o tempo, que por mais que não nos recordássemos de nossas vidas passadas, quando duas almas se amam, embora não percebam de imediato, elas sentem. Talvez aqueles olhos castanhos me acompanhassem a muitas vidas e eu não fizesse ideia daquilo até aquele momento, eu sentia que havia achado a resposta que procurara dentro de mim há muito tempo. Eu não sabia como aquilo iria mudar minha vida dali em diante ou se algo realmente iria mudar, mas aquelas palavras que ecoavam em minha cabeça eram suficientes, pelo menos por enquanto.

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Ao rolar o dedo na tela do meu celular logado naquele aplicativo, olhei pra aquele sorriso que de alguma maneira conseguia me fazer retribui-lo, mesmo que de tão distante, aqueles olhos negros cheios de vida eram um conforto para a alma e naquele momento eu tive a certeza de que aquele encontro virtual não era por acaso, afinal eu nem acreditava em acasos e sim em destino.

Em meio a tantas conversas, troca de fotos e áudios, sentia que ficávamos cada vez mais próximos e a ansiedade de vê-lo pessoalmente perturbava meus pensamentos. Aquele homem mexia com cada dobra do meu cérebro, me fazia ficar horas a fio procurando uma maneira de interpretar tudo aquilo que ele fazia questão de não deixar claro entre nós. Mas não era como se o mistério fizesse parte dele, porque realmente não o fazia, aquilo era outra coisa, algo que ele conseguia ter e deixar sem nome.

Ele tornou-se o responsável por inúmeras noites de insônia e nem fazia ideia, a cada dia aquela expectativa de olhar realmente dentro daqueles olhos, de vê-los focados em mim, era sufocante e mesmo assim eu fazia questão de desfrutá-la até a última gota, porque cada nova sensação era bem vinda. Mesmo tendo a noção de que aquele velho medo de entregar meu coração ainda estava ali. Eu não faço a menor ideia do que irá acontecer daqui para frente, porque esse passado ainda é presente. Não sei como vamos acabar, nem o que a vida nos reserva, mas eu estou pronta para arriscar e quero que ele saiba disso.

 

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